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Notas à Margem

Notas à Margem

08
Jan26

Relevantar Spartacus - 89

zé onofre

                89, canção XXXIX

 

026/01/07

 

Temos a terra lavrada

Pel’as nossas próprias mãos

Não fomos roubar nada

Só quisemos o nosso pão.

Fizemo-lo com tod’o sentido

De quem nada come

O pão mal dividido

Acaba sempre na fome

Temos braços para lutar

E olhos para perceber.

E vontade de acabar,

Com a fome a renascer.

Depressa como o vento

Vamos lá a correr

que se não formos a tempo

deitaremos tudo a perder

 

Nossa força entrosada

É uma lança resistente

Nossa luta é barricada

Contra o roubo permanente.

Seguiremos resolutos

Não há muros que nos detenham

Nem decretos absolutos,

Não há armas que nos vençam.

Queremos nós de certeza,

Sem alguma hesitação

E até a natureza

Condena a falta de pão.

 

Vamos já, vamos já

Que o tempo se faz tarde

E se tempo não há

A fogueira não arde.

Vamos já, vamos já,

Que o tempo se faz tarde.

   Zé Onofre

01
Mar24

Comentários - 336

zé onofre

                  336 

 

024/02/13

 

Sobre Almocreva, de Zé LG, 13.02.24 em https://alvitrando.blogs.sapo.pt/

 

Sob um céu azul remendado

Que levemente protege

Um casal no cimo do horizonte,

Tendo por vigia um velho poste,

Sente-se que para além daquela cortina

Há vidas escondidas,

Mas não esquecidas.

 

Vidas

Encostadas ao cajado

Olhando o infinito,

Nas cabeças do seu gado

Que pacientemente mordem

As folhas das ervas quase ressequidas.

 

Vidas de homens antigos

E de mulheres feiticeiras

Que de foicinha em punho

Segam o trigo maduro.

Sob um sol inclemente

Lançam à calmaria

Uma canção dolente,

Dorida,

Marcando o ritmo das mãos calejadas.

 

Vidas leiloadas na praça da Vila

A tanto à jorna.

Quanto mais vidas,

A serem leiloadas,

Menor a jorna se paga

Por vidas quase acabadas.

Uma voz que se levanta,

Um zumbido que atravessa a praça.

Logo de seguida,

Ferraduras em tropel no empedrado,

Tiros disparados sem rumo,

Mas com destino.

Uns resistem,

De uma vida,

Que no chão da praça jaz,

Um rio de sangue nasce

Uns vão para a prisão,

Outros para casa acalentando a fome.

Os assassinos regressam ao quartel

Em paz.

  Zé Onofre

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