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Notas à Margem

Notas à Margem

08
Jan26

Relevantar Spartacus - 89

zé onofre

                89, canção XXXIX

 

026/01/07

 

Temos a terra lavrada

Pel’as nossas próprias mãos

Não fomos roubar nada

Só quisemos o nosso pão.

Fizemo-lo com tod’o sentido

De quem nada come

O pão mal dividido

Acaba sempre na fome

Temos braços para lutar

E olhos para perceber.

E vontade de acabar,

Com a fome a renascer.

Depressa como o vento

Vamos lá a correr

que se não formos a tempo

deitaremos tudo a perder

 

Nossa força entrosada

É uma lança resistente

Nossa luta é barricada

Contra o roubo permanente.

Seguiremos resolutos

Não há muros que nos detenham

Nem decretos absolutos,

Não há armas que nos vençam.

Queremos nós de certeza,

Sem alguma hesitação

E até a natureza

Condena a falta de pão.

 

Vamos já, vamos já

Que o tempo se faz tarde

E se tempo não há

A fogueira não arde.

Vamos já, vamos já,

Que o tempo se faz tarde.

   Zé Onofre

12
Set25

Relevantar Spartacus - 88

zé onofre

               88, Canção XXXVII

 

025/09/12

 

Parece que s’abalou

A força que nos restava.

Um vazio instalou

No lugar qu’el’ocupava.

Essa perda é ferida

Que começa a sangrar

O alvorecer da vida

Que se vinh’ànunciar.

 

Vazio que desespera

Os que ousam persistir

N’uma nova Primavera

Do escuro a surgir.

Chegai-vos companheiros,

Uns aos outros vos juntai

Qu’unidos por inteiro

A força de novo sai.

 

Gente na vida perdida

Pessoas sem consistência,

Se estivermos unidos

Criaremos resistência

Para os dias de luta

Para os dias de luta.

 

É agora no retrocesso

Quando parece perdido

O caminho do progresso

O momento de s’estar unido,

Levantar braços ao vento

Prontos para resistir

Se já tarda o tempo

Não será para desistir.

 

É já tempo de tocar

A reunir. É pr’a já

Não podemos mais tardar,

Ou adeus ao amanhã.

A espera abre fendas

Entre os vários nós,

Põe escuras grossa vendas

Diz-nos que estamos sós.

 

Gente na vida perdida

Pessoas sem consistência,

Se estivermos unidos

Criaremos resistência

Para os dias de luta

Para os dias de luta.

   Zé Onofre

03
Jan25

Cantos tristes canção XX

zé onofre

Canção XX

 

025/01/03

 

Ser trabalhador é algo mais

Do que cumprir uma tarefa

Fazer como quem pensa

Que naquele acto está bem tensa

A sua força e o lucro do patrão.

 

É saber que tem o poder na mão,

Se ao seu camarada o juntar,

Para com a sua união o mundo mudar

Erradicando a exploração.

 

É ter vontade de não se sujeitar

Ter por destino uma nova sociedade,  

Sem necessidade de guerrear.

 

É lutar sempre com a firme razão

É ser-se suporte e guarda da liberdade

Dizê-lo com alegria numa canção.

   Zé Onofre

16
Fev24

Que viva spartacus - 43

zé onofre

                   43

 

024/02/15

 

Não nos conformemos.

 

Não te conformes.

 

Quando passas meses na fila do desemprego,

Revolta-te.

Quando te vês obrigado a emigrar,

Revolta-te.

Quando o salário não chega para viveres,

Revolta-te.

Quando és intimidado a dar horas a mais,

Revolta-te.

Quando és intimidado a trabalhar no descanso,

Revolta-te.

Quando não há creches para os teus filhos,

Revolta-te.

Quando não há pré-escolar para os teus filhos,

Revolta-te.

Quando faltam professores na escola dos teus filhos,

Revolta-te.

Quando não tens médico de família,

Revolta-te.

Quando não tens tempo para o lazer,

Revolta-te.

Quando te falta habitação,

Revolta-te.

Quando te roubam os balcões bancários,

Revolta-te.

Quando o banco te rouba o dinheiro em taxas,

Revolta-te.

Quando o banco pratica juros inexplicáveis,

Revolta-te.

Quando os Correios não cumprem,

Revolta-te.

Quando te cortam o subsídio de doença,

Revolta-te.

Quando te cortam o subsídio de desemprego.

Quando te aumentam a idade de reforma,

Revolta-te.

Quando há planos para baixar a reforma,

Revolta-te.

Quando te revoltares,

Não te revoltes sozinho.

Revoltemo-nos todos juntos.

Todos juntos temos mais força.

Todos juntos faremos o mundo avançar.

   Zé Onofre

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