Dias de hoje 2025, 13
13
025/08/06
Foi há dias.
Deitado numa pedra,
No Largo,
A fitar o nada,
Esperando alguém.
Enquanto os minutos se sucediam,
A mente foi-se esvaziando do presente.
O corpo preencheu-se
De sensações passadas.
Ao longe,
Não sei quanto longe,
Ouvia,
Era o entardecer,
Chiar carros de bois.
Também longe,
De certeza mais próximo,
Cães desassossegados
Ladravam ao desafio
Chamando a Lua que tardava.
Mais próximo,
Mesmo ali no Largo,
Crianças e passarada
Envolviam-se,
Em alegre despique,
De bater de asas, canto e algaraviada,
Dizendo adeus ao Sol
Que lentamente se afundava para os lados do mar.
O tempo venceu-me,
Não sei se por segundos,
Por horas,
Ou alguns minutos.
Apenas sei que foi longo o apagão.
Abrindo os olhos vi,
Parados como estátuas, uns,
Outros, em andamento lento,
Olhando-me como se fosse um estranho
Num tempo a despropósito.
Quem seria eu,
Aquele vulto ali abandonado?
O Zé Maneta,
A curar a carraspana sua de cada dia?
O Pirata,
Que resolvera fazer a travessia a sós
E desamparado caíra a meio caminho da casa e da tasca?
O Gaspar,
Rasteirado pelo comparsa
Que carregava às costas?
Lentamente
O mundo, que abismado me observava,
Dissolveu-se no nada
E apenas uma voz amiga
- Pensava que já não vinhas.
