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Notas à Margem

Notas à Margem

09
Jul25

Das eras Parte VII - De regresso aos tempos das sombras e dos sussurros - 18

zé onofre

  18

 

025/07/08

 

Para todos aqueles que quase tocaram o futuro e o viram

 

 «sem mais nem menos

Que um dia selei a 125 azul.

Foi sem mais nem menos,

Que me deu para arrancar sem destino»

(com a devida vénia aos Trovante).

 

*

Não sei se os caminhos foram cruzados,

Se trocados foram os caminhos,

Ou caminhos enrodilhados

Na roda dos tempos.

 

Não sei de onde e que névoa se levantou,

Se vinda nos ventos do passado,

Se nos caminhos presentes se levantou,

Para não vermos o futuro a ser roubado.

 

Adivinhava-se através da clara madrugada,

Uns dias entre todos tão deslumbráveis,

Com problemas inovadores, não os da noite passada,

Que apenas em caminhos novos são espectáveis.

 

De repente, por artes desconhecidas

Convencidos que seguíamos rumo seguro

Deparamos com as mesmas dores sofridas,

Esbarramos com o passado e não com o futuro.

 

Caminhar outra vez nos subterrâneos apetece,

Minar nos sussurros e nas sombras a prisão

Do pensamento que de manso cresce,

Sussurrar como quem grita - Outra vez, Não.

Zé Onofre

08
Mai25

Das eras - parte V 2º vol 2

zé onofre

               2

 

025/05/07

 

Liberdade Livre, Teresa Margarete Martins Pereira, no blog https://madrugada.blogs.sapo.pt/

 

Foi breve a madrugada,

Foi uma faísca no horizonte dos medos,

Que os medos

Se encarregaram de abafar.

 

Uma madrugada

Ingénua nascida,

De portas abertas,

Sem desconfianças,

Doce e carinhosa,

Irisada pelo sol

Nascente,

Que viajava pelas pérolas

Do orvalho.

 

Ingénua madrugada

Que aceitou todos

Como seus verdadeiros amantes,

Amigos e adoradores,

Mesmo aqueles,

Que ainda na véspera,

A mantinham prisioneira

Nos calabouços

De um longo inverno de quarenta e oito anos.

   Zé Onofre

05
Abr24

Das Eras Parte VI - 31

zé onofre

31

 

               Abril 024 – 2

 

024/04/04

 

Era uma vez …

Há muito,

Muito tempo

Num país perto de nós.

 

Nesse país,

Perdido lá atrás no tempo,

Havia um jardim secreto

Onde floresciam as flores mais belas

Que primavera alguma vez já vira.

 

Nesse país,

Perdido lá atrás no tempo,

O jardim secreto

Amanheceu

No alto de uma madrugada.

As pessoas, há muito dele ansioso,

Saíram à rua saudando-o

Com cânticos e palavras de alegria,

Onde cada flor serena falava

Igualdade, Liberdade.

 

Ao longo do tempo,

Desde esse há muito tempo

Em que o Jardim Secreto

Amanheceu

No alto de uma madrugada,

Os que queriam aquele jardim secreto,

Secaram uma a uma as suas flores.

 

Dessa manhã,

Que irrompeu no alto da madrugada,

Resta maioritariamente

Uma memória festiva.

 

A sua essência

Tem vindo a recolher-se

A um novo jardim

Que um novo dia

O fará florir

No alto de uma outra madrugada.

  Zé Onofre

01
Abr24

Das Eras Parte VI - 30

zé onofre

 

30  Abril 024

 

024/04/01

 

Há já muito

Que não subia esta encosta.

De penedo em raiz,

De raiz em esforço,

Me levava ao cume deste Monte.

 

Hoje fiz o velho caminho

Com mais esforço.

O tempo roeu os penedos,

Envelheceu as raízes,

Mas consegui

E aqui estou no cume do monte.

 

Sento-me,

Respiro fundo,

Fecho os sentidos por um momento,

Estou só

Encerrado em mim.

 

Após uma eternidade

Abro-me ao vento,

Ao céu,

Ao verde do monte,

Ao longínquo horizonte.

 

Olho em redor.

Apenas um cinzento pesado,

Sombrio quase negro.

Procuro no véu do horizonte

Um rasgão

Por onde veja um pouco

De uma manhã clara.

 

Lentamente rodo.

Procuro no negro longe

O azul que não aparece

E que tanto desejo.

Desistente, vou deitar os olhos ao chão,

Quando no mais afastado monte

Uma pequena brecha se rasga

E um tímido raio de sol,

Mostra o clarear

De uma nova madrugada.

 

Deito os ouvidos ao vento

Que já não sopra

Segredos

Lá dos confins de onde vem.

Vem carregado

De lâminas afiadas

Que cortam e castigam os ouvidos

Quem ousa,

Depois de tanto esquecimento,

Colher palavras semeadas

Por bocas desesperadas.

 

Apenas um silvo

Se faz ouvir.

Um grito único

De mil vozes tão cansadas

De tanto pedir socorro

No vento que corre pela Terra.

Mil vozes tão desesperadas

De tanto esperar o calor de uma canção,

A carícia de uma palavra de esperança,

Um canto que anuncie um novo amanhecer.

 

Um uivo de desespero,

Em seu último alento,

Lançado ao vento

Que os meus ouvidos fere,

Ou uma voz urgente,

Que nos grita,

Ainda estamos vivos,

Vamos em frente,

Que ninguém ouse desistir,

Que ninguém desespere

Uma nova madrugada está para florir.

  Zé Onofre

 

08
Nov23

Dia de hoje - 88

zé onofre

               88

 

023/11/08

 

Havia um quintal.

No quintal havia um carvalho.

No carvalho havia bugalhos.

 

Havia um quintal.

No Inverno florescia o batatal.

Todo o ano produzia couves.

 

Havia um quintal.

No Verão resplandecia de brincadeiras,

No solo remexido e poeirento.

 

Havia um quintal.

Havia oito irmãos

Para o quintal.

 

Com os oito irmãos

O quintal

Deixava de ser apenas quintal.

 

Com os irmãos

Os simples bugalhos,

Transformavam-se em maravilhas.

 

Agora o quintal é acampamento.

A tranca da porta da cozinha

Com lençóis faziam a tenda do Comandante,

 

Agora os bugalhos são ciclistas,

A fazerem a Volta a Portugal.

Com esforço trepam o Marão e a Estrela,

E outras serras menores,

Suam pelas planícies tórridas do Alentejo,

Seguem à sombra das vinhas de enforcado

Em estradas serpenteando pelo verde Minho,

Por vilas e cidades,

Por aldeias perdidas

Que nem os mapas conseguem encontrar.

 

Agora o quintal é uma colina

Onde uma cabana se ergue,

Casino onde se joga às cartas,

Sala de conversas animadas,

Quarto secreto

Onde a passarada canta de madrugada,

Enquanto as estrelas se somem uma a uma

E o Sol raia pelo carvalho.

 

Havia um quintal.

Havia um carvalho com bugalhos.

Havia oito irmãos.

Havia imaginação,

Que tornava imensas

Os dias e as noites,

E sem fim

O Verão.

  Zé Onofre

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