Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Notas à Margem

Notas à Margem

04
Set25

Relevantar Spartacus - 87

zé onofre

               87, Canção XXXVI

 

025/09/04

 

Homens que tudo fazeis

Enchei os peitos de ar

Derrubai todas as leis

Com que nos querem roubar.

 

Derrubai barreiras e muros

Pequenas pedras banais

Que nos roubam o futuro

De ser pessoas reais

 

Derrubai todas as vozes

Feitas de lindas palavras,

De promessas muito doces

Que apenas são amarras.

 

Derrubai quem vê desgraças

Nas vossa justa razões

Que sentem ser ameaças

À su’ vida’ altos padrões

 

Derrubai as falsas verdades                       

Feitas de frases meladas

Não são mais que novas grades                      

Das vidas encarceradas.

 

Homens que tudo fazeis

Enchei os peitos de ar

Derrubai todas as leis

Com que nos querem roubar.

   Zé Onofre

09
Mai24

COMENTÁRIOS

zé onofre

              339  

    Sobre blá, blá, blá, I M Silva, em https://imsilva.blogs.sapo.pt/,

 

024/05/04

 

Há dois bonecos,

De barro moldados

Que se olham frente a frente.

O retrato do nosso quotidiano.

 

Pessoas desligadas,

Que apenas se cruzam

Nas praças, nas ruas, nas bichas do Super,

Ou vizinhos de mesa de café.

 

Elas nada nos dizem,

Nós nada lhes dizemos.

 

Se, por acaso,

Desviamos o olhar de nós mesmos

E as encaramos

Mexemos os lábios

Num blá, blá, blá.

“Isto mé que vai um tempo…”

 

E seguimos cosidos em nós,

Desconhecidos,

Desconhecedores,

Das dores e dos sonhos,

Das alegrias e tristezas,

Do mundo que nos envolve.

  Zé Onofre 

03
Set23

Notas à margem - Dia de hoje 93

zé onofre

               93 – Natal

 

023/09/03

 

Este ano,

O meu desejo de Natal,

É que não haja Natal

Por desnecessário e anacrónico.

 

Porque desde sempre

Apenas o sol iluminava os dias

E que a noite

Apenas conhecia a lua e as estrelas.

 

Porque o solo

Apenas tinha memória

De ser rasgado pelos ferros do arado,

Apenas fora pisado por tratores,

E nunca sentira o peso de botas cardadas,

Nem de máquinas de lagartas.

 

As cidades apenas sabiam

De edifícios que eram lares

E não construções de paredes esventradas.

 

Os verdes e floridos jardins

Tinham apenas a lembrança

Das alegrias, tristezas, brincadeiras e brigas das crianças,

Do arrulhar e arrufos de namorados,

Do silêncio/memória dos reformados.

 

Nos bosques apenas havia vestígios

Do desenvolvimento harmonioso da vida selvagem,

Ao som do vento e da chuva,

Da brancura da neve e das geadas,

Dos temporais e das bonanças,

De homens, mulheres e crianças

Em alegres passeios e piqueniques.

 

Os rios e os lagos desde há muito

Eram o habitat da vida aquática,

A serenidade das suas águas

Apenas eram cortadas por árvores que tombavam,

Pelo remar de pequenos barcos,

Onde felizes humanos

Conversavam e cantavam a vida.

Havia também o registo de corpos,

Mais ou menos elegantes

Que nas suas águas procuravam prazer.

 

Os mares, desde tempos imemoriais,

Apenas eram navegados por cruzeiros,

Navios cargueiros,

Respeitados pelos humanos

Que nunca dele fizeram o seu caixote do lixo,

Quanto mais estrada de máquinas de morte.

 

Os ares, apenas sabiam,

Que eram o lar das nuvens e das aves,

A fonte dos relâmpagos e dos trovões,

Caminho de aviões que os cruzavam

Com intenções de negócios,

Ou como mensageiros de tristezas e alegrias,

Ou apenas destino de descanso e recreio.

Os ares nunca souberam que poderiam ser voados,

Por máquinas furiosas que desovavam,

Inclementes, ovos de morte sobre a superfície.

 

As ruas, praças e avenidas,

Desde tempos antigos

Sentem passos de pessoas,

Sem pressas nem correrias,

Que apenas viviam a vida

Com alegrias, choros, tristezas e gargalhadas,

A olharem o longe sem medo

Que do nada surgisse a morte.

O seu único receio era que um  pássaro passageiro

Largasse sobre elas um dejeto ligeiro.

 

Dos campos, das minas, das fábricas e dos mares

Apenas se fabricava e extraía o necessário.

Não se produzia para o excesso,

Nem para acumular riqueza,

E produzir pobres.

 

Este ano,

O meu desejo de Natal,

É que não haja Natal

Por desnecessário e anacrónico.

   Zé Onofre

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub