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Notas à Margem

Notas à Margem

08
Jan26

Relevantar Spartacus - 89

zé onofre

                89, canção XXXIX

 

026/01/07

 

Temos a terra lavrada

Pel’as nossas próprias mãos

Não fomos roubar nada

Só quisemos o nosso pão.

Fizemo-lo com tod’o sentido

De quem nada come

O pão mal dividido

Acaba sempre na fome

Temos braços para lutar

E olhos para perceber.

E vontade de acabar,

Com a fome a renascer.

Depressa como o vento

Vamos lá a correr

que se não formos a tempo

deitaremos tudo a perder

 

Nossa força entrosada

É uma lança resistente

Nossa luta é barricada

Contra o roubo permanente.

Seguiremos resolutos

Não há muros que nos detenham

Nem decretos absolutos,

Não há armas que nos vençam.

Queremos nós de certeza,

Sem alguma hesitação

E até a natureza

Condena a falta de pão.

 

Vamos já, vamos já

Que o tempo se faz tarde

E se tempo não há

A fogueira não arde.

Vamos já, vamos já,

Que o tempo se faz tarde.

   Zé Onofre

17
Dez25

Dias de hoje, 25

zé onofre

               25

025/12/17

Estamos em dezembro.

Diz-me o cinzento dos dias,

A poalha húmida do ar,

Os dias curtos ao entardecer,

E, se mais não fora,

Dir-mo-ia o frio calendário do tempo por medida.

 

Apesar de ser um dezembro igual

A tantos outros passados,

Passo por este dezembro,

Como se já tivesse passado,

Encontro-me perdido num tempo incerto.

 

Há acontecimentos acontecidos,

Que parece que ainda estão por acontecer,

Há datas por vir

Que parecem já ter ido

Em velocidade louca para fora do tempo.

 

Tenho que me chamar à razão,

Fazer um enorme esforço mental

E convencer-me que não,

Ainda não foi Natal,

Contudo tenho a sensação

Que o Natal deste ano já tenha sido

Ou que por alguma gruta dourada

Anda perdido.

  Zé Onofre

23
Ago25

Relevantar Spartakus - 84

zé onofre

               85

 

025/08/21

 

Este é o tempo, meus amigos,

De dizer o feito foi-se para sempre.

Este é o tempo de todos os perigos,

De continuarmos a marcha em frente.

 

Vontade posta num outro futuro,

Avancemos sem medo algum,

Por mais forte que seja o muro,

Não nos resistirá se formos um.

 

Alertemos meus amigos, insisto,

Que os vampiros neste instante

Sem terem o ar o negro e sinistro

Vêm com a mesma sede de sangue.

 

Mostremos com a força da razão,

“que não queremos o que eles querem”

Porque temos uma outra intenção,

Queremos a igualdade que eles temem.

 

Reforcemos com renovada esperança,

Que se todo o mundo muda, dia a dia,

Então que essa eterna mudança,

Seja no sentido da nossa via.

 

Cantemos, pois, com vozes bem altivas,

Não as canções que nos deixaram,

Compunhamos novas canções vivas,

E cantemo-las como as deles cantaram.

07
Jul25

A propósito de … Livro VI - 354

zé onofre

  354

 

025/05/21

 

RIBALTA, Maria João Brito de Sousa, 21Mai25, em https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/ (e com a devida vénia a Guerra Junqueiro)

 

Caro amigo

«Ai, há quantos anos que..."

Por caminhos diferentes seguimos

Em busca do mesmo Santo Graal.

«Meu "velho amigo" que me estás fitando»,

Que me vens bater à porta,

«"Deste" a volta ao mundo,

Dei a volta à vida»

Já somente nos olhares

Nos reconhecemos

Os corpos tão gastos

Pela usura do tempo,

Pelas alegrias e tristezas, 

Pelos risos e lágrimas

Da vida.

Meu velho amigo,

Entra, esta porta

Sempre estará aberta

Para quem precisa de conforto,

Descanso

Para continuar a caminhada.

   Zé Onofre

 

 

 

 

 

13
Jun25

Dias de hoje 2025, 11

zé onofre

                     11, em memória do Sr. Peixoto

 

025/06/12

 

Passa tão de leve,

O tempo,

Aragem de vento

Que mal se sente.

 

Passa às vezes tão de leve,

O tempo,

Que parece parar um momento,

Para se viver em pleno

Um acontecimento.

 

Quantos momentos

Paramos juntos,

Unindo a distância,

Cúmplices no mesmo fim,

Melhor servir

A comunidade em que vivemos.

 

Passados,

Voltava de leve o tempo.

Com ele,

Por caminhos paralelos,

Por artes diferentes,

Um mais persistente,

Outro, eu, menos resistente,

Seguimos,

A lutar pela elevação cultural

Da gente a que pertencemos.

 

De repente o tempo acelera

Baila e rodopia

As nossas vidas,

Como folhas ao vento.

 

Entre as folhas do outono,

Que o tempo revolve,

Vêem-se algumas mais coloridas,

Das primaveras idas.

Marchas,

Leilões,

Magustos,

Festas de verão,

Pontos de encontro

De plena sintonia.

 

Agora o tempo,

Depois deste precipitado rodopio,

Voltará como aragem de vento,

Trazendo consigo

A saudade

Daqueles momentos

Que para sempre,

Naqueles com quem os fizeste,

Viverão. 

 

  Zé Onofre

22
Mar25

Notas à margem Dias de hoje/2025

zé onofre

               7, Tempo

 

025/03/22, Amarante

 

É este o tempo,

É este,

Que nos cabe

Para estar.

 

Não olhemos para trás.

O que lá está,

Lá ficou,

Marco do que escolhemos trilhar.

 

Agora,

É olhar o horizonte,

Com discernimento

Ver,

Ouvir,

Escutar

Sem arrependimentos

Abrir caminhos,

Nunca dantes caminhados,

Para onde pretendemos aportar.

      Zé Onofre

17
Nov24

Dia de hoje 110

zé onofre

                 110

 

024/11/17

 

Roubado

 

Noutros tempos,

E esses ontem foram,

Contudo,

Lá tão longe

Que parece que um século se passou.

 

Naqueles tempos,

Cinzentos na névoa da memória,

Havia um menino,

Como todos os outros meninos

Que outrora havia,

Que vivia ao ritmo da vida

Sem pressas,

Sem ansiedades

Ao ritmo do tempo

Que o tempo tinha.

 

O tempo,

Nesse tempo ido,

Era marcado pelo calendário

Que não sabia de dias

Nem de horas,

Era marcado pelo ritmo

Dos momentos,

Que então o ano tinha.

 

Havia o tempo de semear,

O tempo de cuidar,

O tempo de colher,

O tempo de descansar.

Tudo acontecia,

Como tinha de suceder,

No tempo de acontecer.

 

Era a festa da Primavera,

Opas vermelhas de casa em casa

Guiadas pelo som estridente

De campainhas de prata

Que crianças felizes

Badalavam sorridentes.

 

Já quase no fim,

Pré-anunciando o verão,

Acontecia o dia da espiga,

Dos murmúrios pelos valados,

De carícias e juras dos namorados

E a festa da Ascensão.

 

O doirado do trigo e do centeio

Chamavam as ceifeiras,

Era o verão no seu fulgor.

Os mergulhos em águas frescas,

De poças, riachos, ribeiros

E rios verdadeiros.

Os bailaricos

Nos largos e terreiros,

Pelo são João,

Que duravam a noite inteira.

 

Já lá vem o Outono multicolor,

Das vindimas,

Das desfolhadas

Com risos marotos,

Cochichos misteriosos,

Das explosões de alegria,

Numa espiga de milho-rei.

 

De mansinho chegava o inverno,

Das chuvas mansas,

Ou torrenciais, das geadas “brabas”,

Caiadoras dos campos

Imitando, como podiam,

A brancura da neve.

 

Inesperadamente, como um sonho,

Já era o tempo dos presépios,

Das rabanadas e da aletria,

Da Missa do Galo,

Das janeiras e dos reis.

 

Ao ritmo do tempo

Que o tempo tinha,

De um calendário sem pressas

A vida acontecia,

Como tinha de acontecer,

No seu momento único

De alegria e magia.

 

Fui roubado

Pelo tic-tac furioso dos relógios,

Devoradores do tempo,

Que antecipam

Destruindo a surpresa

Do o momento certo e único

Que surgia vindo do nada

Com a magia do inesperado.

    Zé Onofre

27
Mai24

Dia de hoje - 102

zé onofre

               102

 

024/05/27

 

Olho pelas frinchas do tempo

Os actos praticados

No tempo que já foi

Que, contudo,

Continua correndo dentro de mim

Como um riacho.

Ora sereno,

Brilhante,

Cristalino,

Límpido,

Mostrando o seu leito,

Que sou eu;

Ora

Turbulento,

Barrento,

Saltando rugidos de pedra em pedra,

Lançando-se violento,

De desnível em desnível.

 

Olho pelas frinchas do tempo

Os actos praticados

No tempo que já fui

Como espectador isento

Que vê uma fita

Realizada por um cineasta menor.

Porém,

Falta-me essa qualidade.

Não posso deixar de sentir saudades

Do que não fiz

Alegrar-me com alguns feitos

E lamentar outros.

Ali permanecem ainda,

Como ferida aberta,

Ou apenas uma cicatriz.

Marcos indeléveis

Nas praias do tempo.

20
Dez23

Dias de hoje - 90

zé onofre

              90

 

023/12/20

 

No tempo em que o tempo parava

 

Naquele tempo,

Antes de este tempo

Que em tudo que toca macula

Que das mais pequenas coisas

Faz objeto de consumo,

O Natal

Não era uma data no calendário,

Uma palavra no dicionário,

Era o tempo

Do mistério e da alegria,

Do sonho e da magia.

 

Do Natal desse tempo

Não há um momento especial,

Todos os momentos eram

Por inteiro o Natal.

 

Começava no fim das aulas em dezembro,

Com a criançada desafinada,

Pela estrada até casa

A cantar entusiasmada

 

– «Aulas acabadas

Férias começadas

Vamos para casa

Comer rabanadas».

 

Continuava-se com o presépio,

Na Igreja e em casa,

Na cozinha à volta da mãe

A provar as lambarices.

 

A noite de vinte e quatro

Com o bacalhau e a doçaria

(Com filhós e bolos de abóbora

rabanadas e aletria).

No Largo da Igreja

Com brincadeiras mil

Até à missa do Galo,

Com o “nosso” presépio a presidir.

 

Ao outro dia a festa continuava.

Ensaiar as janeiras. Canto tradicional,

Já não à avó, mas que continuava

Ao tio mais velho da Casa do Espinhal.

  

Era uma semana cheia de alegria,

O pai e os filhos, vê-los era um regalo.

E como sempre o pai contava

“uma vez deram um arroz de galo”,

E logo de seguida, com ar maroto,

“Não, galo de arroz”, emendava.

  

 Acabava o Natal,

No primeiro dia de janeiro,

Alta madrugada

Já o galo cantava no poleiro.

 

Votaria daí a uma eternidade,

(Caído logo no esquecimento)

No último dia de aulas

Do próximo dezembro.

  Zé Onofre

13
Jul23

Comentário 320

zé onofre

                 320 

 

023/07/12    

 

Sobre, Tempo perdido, por Cotovia (MC), em 023/06/04 no blog https://cotoviaecompanhia.blogs.sapo.pt/

 

                    Em busca

 

Sentado neste banco, meu companheiro

De sonhos e de viagens impossíveis,

Recapitulo a vida por inteiro

E sinto que poderiam ser viáveis.

 

Tivessem tido um outro mensageiro 

A divulgá-los sem as palavras frágeis

Deste homem que os deixou no tinteiro

Tanto tempo que ficaram inviáveis. 

 

Estendido neste banco ao comprido,

A ver as estrelas, que ainda estão

Lá em cima, distante como lhes é devido

 

Sinto que não foram sonhados em vão.

Tudo o que sou apenas faz sentido

Pelo caminho de que fiz o meu chão.

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